Escreva o livro que gostaria de ler

Podemos ser assolados pela dúvida em qualquer momento da nossa escrita — antes de começarmos, durante o projeto ou após terminarmos o manuscrito. Ser escritor é viver com dúvidas sobre a própria capacidade técnica e sobre as histórias que escrevemos. Se só puder se lembrar de um conselho, lembre-se disso: pare de escrever para impressionar os outros. Escreva o livro que gostaria de ler.

Se há um livro que você quer ler, mas ainda não foi escrito, então você precisa escrevê-lo.

— Toni Morrison

Precisamos nos divertir enquanto escrevemos. Não é uma atividade sofrida, em que nos arrependemos a cada palavra colocada na tela ou no papel. Por que você escreveria sobre algo que não tem o menor interesse? Escreva pra você. Escreva sobre o que gosta de ler, sobre o que gosta de falar, sobre o que você acha que os outros precisam conhecer.

Enquanto você amar o que está criando, outras pessoas também vão amar o que estão lendo. E outras, você nunca será capaz de agradar. Não se preocupe com elas. Sabe aquele cara do Youtube que vota negativo no vídeo um bebezinho rindo? Você nunca vai mudar a opinião dele, e nem precisa tentar. Não se concentre no que está fora de seu controle. Concentre-se na sua escrita.

Não mude sua história porque acha que vão gostar mais dela de outro jeito. Você não controla reações. Mude sua história se você preferi-la de outro jeito.

Crie mundos incríveis nos quais você gostaria de viver. Crie personagens absurdos e interessantes para povoarem esse mundo. Crie histórias insanas que te fazem sonhar.

As pessoas vão te julgar. Muitos vão opinar sobre o que você deve fazer e como fazer. Vão te dizer sobre o que deve escrever, mas não existe nenhuma Polícia da Escrita. Você é o deus da página em branco e nela pode criar o que quiser. Você já tem toda a permissão necessária.

Na página em branco, você manda e todos obedecem. Exceto, claro, aqueles personagens teimosos cheios de querer.

Seja arrogante, seja lunático, seja impiedoso, seja bonzinho. Você escolhe. Você. Escreva exatamente o que quer ler, o que gostaria de ler, o que falta no mundo.

Todas as histórias já foram contadas, mas o mundo ainda não viu a sua versão. E a sua versão, só você pode contar. É a única que falta.

É a única que importa.

Polarizando

Nunca vamos conseguir agradar todo mundo. É impossível. Sempre vai haver alguém para odiar algo que criamos, não importa o que a gente faça. Até o nosso trabalho mais querido, amado por todos os nossos amigos, vai atrair pessoas que irão odiá-lo. Já que isso é inevitável, precisamos polarizar nossa escrita.

Escreva sabendo que seu conteúdo vai dividir opiniões. Escreva sabendo que pessoas vão interpretá-lo da maneira que bem entenderem, e por mais que suas palavras sejam claras, a interpretação do público sempre foge do seu controle. Muitos vão se ofender quando essa não era sua intenção. Muitos vão te criticar, te repreender e te odiar pelo que escreveu. Acontece. Coisas da internet.

Então polarize. Vá até o extremo da sua opinião, do seu conteúdo, do que você realmente acredita. Não peça desculpas e nem meça palavras. Abra uma veia e despeje seu sangue no texto.

Se estiver com medo de divulgar seu texto pro mundo, ótimo. É um bom sinal.

Significa que fez algo que vale a pena ser lido.

Não se esqueça — ninguém mais vê o mundo do mesmo jeito que você, então ninguém mais pode contar as histórias que você tem pra contar.

— Charles de Lint

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